Eu, Pensamentos, Relações

Bem que se quis…

“Bem que se quis; Depois de tudo ainda ser feliz; Mas já não há caminhos prá voltar; E o quê, que a vida fez
na nossa vida? O quê, que a gente não faz por amor?

Mas tanto faz! Já me esqueci de te esquecer, porque…  O teu desejo é meu melhor prazer, e o meu destino é querer sempre mais. A minha estrada corre pro seu mar…

Agora vem, prá perto vem, vem depressa, vem sem fim, dentro de mim, que eu quero sentir o teu corpo pesando sobre o meu; vem meu amor, vem prá mim; me abraça devagar; me beija e me faz esquecer…”

A Marisa Monte é linda! E eu amo tudo nela. As músicas, a voz, as expressões. E hoje esta música mexeu comigo.

Estava envolvida com uma pessoa que já tentei esquecer, que já voltei e não quis ficar. São aqueles sentimentos que não controlamos, e que por isso, quase sempre nos controlam.

Por vários motivos estamos separados. E um destes motivos é escolha. Simplesmente escolhemos nos separar (leia-se eu quis e ele concordou) num momento de dificuldade. Como em tantas outras vezes, em vez de ficarmos juntos e nos abraçarmos no momento mais dificil, eu me afastei, sai de cena e deixei o palco vazio, o palco da minha própria relação.

Não estava envolvida com nada, nem ninguém. Estava frustrada, por várias expectativas quebradas, que só descobri depois de um bom tempo. Só percebi a dor, depois que já havia desistido de compartilhá-la e curá-la.

Eu sou a mestra da fuga. Se existe um problema, eu fujo mais rápido que as pessoas esperam, e quando elas olham pro lado, eu já não estou ali. E nos relacionamentos isso é bem pior. Eu sou muito rápida e imediatista, mesmo construindo algo pro amanhã, eu preciso de um hoje muito convincente para me manter ali, senão aquilo perde o sentido. E a idéia de um futuro bom não me satisfaz, o agora que me interessa, principalmente se estou mal. O hoje fica imprescindível e vital.

Em vez de parar, pensar, olhar pra dentro e sentir minha dor, minha raiva e minha frustração, eu finjo que é tudo normal e continuo meu dia firma e forte. Mas, é impossivel ignorar uma dor, se você não a sente, pode ter certeza, algum efeito colateral vai ocorrer. E sempre foi o que aconteceu comigo, quando eu percebia já estava desgostosa com a situação, nada fazia sentido mais, e eu me afastava. Com a separação eu sentia, (sempre se sente) ai mexia por dentro, supitava a dor, às vezes em forma de satisfação, as vezes em forma de mais descontentamento. Mas alguma coisa eu sentia.

Depois de um tempo que a gente realmente sente se queria aquilo mesmo. Se quando a dor passa, volta a vontade, na verdade aquela vontade nunca foi embora, se em algum momento o querer deixa de ser querer, é simplesmente porque a gente quis ver aquilo de forma diferente.

Bem, pelo menos é isso que eu acredito. Mas por outro lado, hoje estou meio injuriada com esta idéia.

De verdade que eu acredito veemente que a gente escolhe o que quer fazer, e quase sempre também, o que quer sentir. Não que eu ache que é possivel se apaixonar por uma pessoa qualquer a hora que quiser. Mas é possível estar junto de qualquer pessoa que a gente queira. Com paixão ou não.

Mas, pela minha experiência, e também por escutar outras pessoas dizerem, parece que a gente é mais burro do que parece. Eu, esta pessoa, e um amigo, dizemos e acreditamos que podemos escolher, fazer, nos mover em relação ao que queremos, que tudo é questão de visão e energia. Mas nenhum dos 3 consegue fazer isso.

Porque????

Se esta seria simplesmente a solução de qualquer problema de relacionamento. Se isto com certeza nos permitiria ser mais felizes, porque o medo ainda é tão forte em nossas vidas? Porque é tão difícil se conhecer, e não se deixar levar pelos sentimentos negativos e não libertadores? Se eu tenho consciência que não possuo nada e que nada me possui, porque não consigo sentir esta liberdade em relação à minha história e a mim mesma?

Eu acredito de verdade, de peito e coração aberto, acredito com tudo que minha alma tem aqui dentro, com todos meus enganos, que eu posso fazer qualquer pessoa feliz. Mas é foda ir com tudo, me jogar, e falar : “Vem comigo”, e a pessoa dizer : “Mas e se…” ” Não é assim que funciona”.

E o pior é que qualquer receio, qualquer minuto em espera, já me tira de minha segurança também. Porque eu não sou um poço de segurança. Eu também sinto medo e receio, também sinto dúvidas e também duvido que realmente somos completos donos de nós mesmos.

Sei que isso também é algo que eu devo aprender a conviver. Não é a todo momento que a pessoa vai estar na mesma onda que eu. O tempo inteiro.

Mas poxa, que que adianta estudar, se convencer, sentir, ter vontade, se no fim não é assim que funciona. Me dói acreditar que estamos fadados a bater cabeça, a ficar presos em besteiras e fugir da felicidade.

O que eu acredito e quero, nem é algo tão evoluído assim. Tá ai, estapeando nossa cara o tempo inteiro. Dizendo: “Me usa, me usa..e seja feliz.” Mas não. Continuamos cegos. Olhando pra dentro, sentindo nosso cheiro e escutando nossa voz, tocando nossas feridas e culpando o outro, por não conseguirmos vê-lo, sentí-lo e tê-lo.

Eu quero sentir fora, olhar longe e tocar tudo, ouvir outro som, que não o da minha voz. Me libertar de mim mesma. Expandir o que de bom tem aqui dentro, e libertar o mal que está em mim.

Um dia eu aprendo…

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