Casos, Eu, Homens, Pensamentos, Relações

Um filme

Tudo começou na faculdade. Éramos da mesma sala, não tínhamos afinidades, ele menino anti-social e roqueiro, e eu a expansiva de qualquer lugar que gostava de músicas de festinhas, tudo ia contra, mas tínhamos interesse. (Interesse este que surgiu do nada, quando dei por mim, estava com cíumes do menino) . Havia um problema, eu tinha namorado e era feliz com ele até então. Mas certas coisas simplesmente não podem ser diferentes. Meu namorado viajou e ficou alguns meses distante. O encanto pelo desconhecido, pelo desencantado com a vida, foi maior. Com certeza, quando eu o beijei no meio do corredor, não imaginava toda a história que viria pela frente, e nem ele, ao ficar feliz com aquilo. Começamos errado, tinha que ser assim.

Assim, que terminei com o outro já começamos a namorar, era muito intenso. Nosso caso nunca foi suave, sempre muito…A primeira decepção não demorou a acontecer. Terminei com ele, por causa do ex.  E as primeiras lágrimas caíram, doídas, sentidas, tão fortes quanto á paixão que a pouco tempo havia começado.

O convívio diário forçava tudo. Impossível disfarçar, fugir, não ver. A energia doía,  a vontade de tudo estava ali, mas a dor também. Entre discussões e mágoas escutei pela primeira vez: “Nós não seremos amigos. Eu te quero como namorada. Não confio em mulheres como amigas”. Mal eu sabia que escutaria esta frase, e várias versões da mesma, por muitas vezes ainda. Eu ainda tinha idéia que seríamos amigos. Batia o pé nesta possibilidade, e realmente achava plausível. Eu precisava dele, queria-o perto de mim, seu contato, sua energia, seu mundo. Eu ficava feliz com ele.

Terminei com o ex novamente. Era daquele que eu gostava. Eu precisava de seu mundo. Eu precisava daquilo, eu era melhor ali. Mas a confusão de uma menina carente e que achava que o mundo era responsabilidade sua, ainda fez com que eu fizesse este ioio muitas vezes. Cada vez mais doído, mais difícil, mais um abrir mão, mais uma aceitação. Mais dor, mais sentimento, mais paixão. Tudo forte. Brigado, doído, xingado, chorado e perdoado, amado e querido. Escrevíamos sempre uma novela mexicana. Com todos os dramas, sofrimentos e lágrimas possíveis. Com toda dor e amor que isso pode ter.

Nossos ciclos duravam em média 6 meses. Namorávamos por este período, onde tudo era maravilha. Logo vinham as desavenças, os interesses diferentes, e a imaturidade fazia com que nós dois fugíssemos, cada um à sua forma, daquilo que começava a incomodar. Enquanto namorávamos erámos tudo um pro outro. Amigos, companheiros, cúmplices, família, quebra-galho, tudo!! Estávamos sempre juntos e compartilhávamos tudo. Discutíamos pouquíssimas vezes. Quase sempre sem sentido. Sempre pensamos diferente em relação ao agir no mundo. Diziamos que éramos dois lados da mesma moeda. Completamente diferentes, mas com interesses em comum, com a mesma base, a mesma vontade, mas ainda assim diferentes.

Mais um término, desta vez namoro com outra pessoa. Não adianta. Fugir de um problema, só nos faz cair no mesmo lugar de novo. A insatisfação voltava do mesmo jeito. E meu mundo perdia completamente o sentido sem ele. Ele era o melhor. Me fazia ser a melhor, com ele eu tinha que pensar, mudar, sofrer, analisar, ponderar, mas eu podia confiar, me entregar, amar, compartilhar. Ele me aceitava, mesmo com dor, mesmo sem querer, ele me aceitava toda. Com ele eu me sentia acolhida, eu podia ser tudo. Ele até brigava ás vezes, mas eu podia ser! Vivíamos um eterno drama, querer o bem que te faz sofrer, querer o que você não quer.

Mais uma vez voltamos. Desta vez eu havia decidido, não queria saber mais de passado. Consegui reconquistá-lo e reatamos novamente. Começamos outra história, com um contexto um pouco diferente. E desta vez o tempo foi bem maior, o sentimento mais profundo, a entrega mais verdadeira. Vivemos um romance típico. Com erros, acertos, conversas, muitos amigos, encontros, dia a dia, tínhamos um cachorro, contas a pagar, e eu fazia encontro com os amigos. Tínhamos quase uma vida de casado. E este quase me incomodava. Eu estava toda ali. (Achava pelo menos) Eu queria a vida dele, ele, pra mim. Construíamos sonhos, viajamos, e estudamos juntos. Ele me apoiava nas decisões da vida e eu a ele também. Um confiava sempre no melhor do outro. Sabíamos que éramos seres maravilhosos e respeitávamos isso. Tínhamos nossos desentendimentos, mas era tudo tão pequeno, coisa que não tinha importância. (Achava pelo menos) Estávamos em ótima sintonia e conseguíamos nos comunicar bem, pelo menos sobre o que percebíamos. (O que era bem pouco.)

Resolvemos neste momento dar um passo à diante. (Eu era convencida que foi livre escolha dele, mas hoje tenho minhas dúvidas se minha pressão não foi muito grande) Compramos as alianças. Tudo à dois. Tudo junto, como sempre faziamos. (E as suspresas? O romantismo? Cadê? Eu achava que não, mas algo gritava dentro de mim). Os presentes já eram escolhidos por mim e ele pagava, as saídas quase sempre depois do trabalho, sem preparo, sem banho, sem cuidado, os encontros era para irmos ao shopping pagar contas. Cinema? Só pra certos filmes e também sem cerimônias. Barzinho? Só com amigos e poucas vezes. Muito disso (se não tudo) foi por grande impulso meu. Mas nada é feito sozinho, e fico impressionada de não percebermos isso á tempo. Como não víamos o fracasso que esta relação esperava se continuasse assim.

Ele entrou na faculdade novamente, e eu estava formando. Ele no ritmo das festinhas e eu preocupada com trabalho e conclusão de curso. Disparidades que poderiam ser muito bem aproveitadas. Mas meu ciúme não deixou. Eu não sabia que tinha ciúme, e sorria pra tudo, mas ao mesmo tempo alimentava uma mágoa dentro de mim. Ele ia pras festas, bebia com a turminha, eu de implicância não gostava de beber, implicava com todo mundo, simplesmente eles não era legais. Mas não falava tanto, simplesmente ficava irritada, ele percebia, mas não tinha o que fazer. Era tudo muito mascarado, por nossos medos e por nossa falta de conhecimento. Nossos enganos sobre oque sentíamos fazia com que reagíssemos de maneira acomodada a tudo.

O choque veio rápido. Eu ia casar, ia ter minha casa, ia realizar meu sonho. E estava mechendo tudo, rápido..rápido demais, eu não o esperei. Sai correndo o puxando pelo braço. Ele queria ficar, eu ir. Ele não veio.  Começou com um simples desinteresse, até culminar na frase “Eu não quero casar. Eu não dou conta, não estou seguro” Aquilo me doeu muito, e só hoje eu percebo (inclusive enquanto escrevo isso, sinto a dor novamente, a respiração falha, e o peito aperta. Sim foi um choque.. que depois de muito tempo eu fui sentir) Nem reagi, como era comum de mim. Minha maneira de encarar tudo com naturalidade, como se tudo fosse assim mesmo, atrapalhou bastante toda nossa história. Como assim não quer casar mais? Que merda é esta? Foi a reação de todas minhas amigas. Mas pra mim era normal. Afinal o que eu poderia fazer? Obrigá-lo? Iria deixá-lo por isso? Ok. Sem casamento. Parem os preparativos!!!

A idéia de sermos só noivos não me animava mais. (Pra que afinal? Se a gente não ia casar, pra que carregar um anel no dedo? Sem motivo aparente?) A insatisfação começou a me deixar impaciente, irritada, descontente, chata, mandona, e tudo de ruim que uma mulher pode conseguir expressar.

Chegou o momento, não queria namorar mais. Não tinha sentido mais estar com ele. Estava confusa, perdida no meio da dor. Não conseguia nem sentir o que estava sentindo, quem dirá sentir algo por alguém. Terminei. Ele pediu “Não vamos terminar, vamos continuar namorando, você sabe que vai dar merda”. Não. Eu não queria. Ele me contou coisas que eu não sabia. Naquele momento tive certeza, não era aquilo que eu queria, era tudo que não era pra ser. Tava tudo errado. Eu não queria aquilo que eu era, que ele era. Naquele momento pelo menos não.

Terminamos, continuamos a nos falar, a nos ver, eu ainda precisava dele, mas não tanto. E nos mantivemos assim. Até eu me afastar. Mais uma fuga minha, me envolvi com outro. E ai fudeu tudo de vez. Mas como sempre, fico cega nestas horas, achava que era assim que devia ser. Mas existem coisas que simplesmente não podiam ser diferentes.

Na época do Natal, da época que seria nosso casamento, a dor apertou, a solidão voltou, a dúvida, o medo, tudo. O natal era nosso momento, sempre ficávamos felizes e gostamos desta festividade. Sempre cultivamos a idéia de família, de lar, queríamos isso. Era uma das bases que a gente tinha igual. OQUE EU ESTAVA FAZENDO? Mais uma vez, perdi o rumo, fiquei insatisfeita. Mas desta vez, não voltei como uma louca. Me desliguei do relacionamento que vivia. Minha formatura se aproximava. Ele tinha vivido comigo a faculdade toda, ele devia estar ali. O procurei. Pelo menos orgulho é algo que eu não tenho. Voltamos a nos falar. Ele também ainda era ligado a mim, nos encontramos de novo, estávamos juntos na formatura, dancei valsa com ele. Foi quase perfeito, pois ainda tinha mágoa. E eu me decepcionei com minha formatura, por ‘n’ fatores. Hoje agiria diferente. (Apesar de não gostar muito disso, o alcool, ajudou muito minha formatura, se eu e ele não tivéssemos bebido, tudo seria muito pior do que foi pra mim)

Logo, deixamos de nos encontrar de novo. Muitas expectativas, e muitas frustrações. É isso que acompanha nossa história.  Alguns sentimentos não bastam pra se ter um relacionamento. Só vontade não resolve.

Ainda somos completamente guiados por nossos impulsos. E o medo se entranha no nosso intimo. O melhor pra uma relação é não saber nada do passado.

Podíamos nos dar uma chance, como daríamos pra qualquer outra pessoa que não conhecemos. Mas ai que está o ponto. Não dá!  Já é dificil acreditar que o outro não é aquilo que EU acho que ele é. Enfim, algumas coisas não podem ser diferentes.

Depois de 5 anos de história, de choro, amor, lágrimas, risos, porres, músicas, comida, pizza, doces, sono sábado a tarde, discussões filosóficas, orações, livros, auto-conhecimento, faxina, brigas, discussões, festas, amigos, viagens, abraços, vitórias, conquistas, mágoas, concursos, familia, cumplicidade, loucuras e um cachorro, posso dizer que somos amigos.

(Não destes de dia a dia, porque não dá pra ser assim.) Amigo de saber que se tudo está fudido, tem alguém no mundo que te ama, te respeita e quer seu bem. Aquele amigo que sabe muito de você, então qualquer palavra, explicação, justificativa não cabe. Aquele amigo que deseja do fundo da alma e coração que você encontre um amor de verdade onde você caiba todo!

Eu simplesmente agradeço. Da maneira mais humilde que meu ser arrogante consegue, a oportunidade de conviver com ele e de ter aprendido tanto. E hoje estar pronta, pra uma nova fase, um novo momento na minha vida!

Obrigada!!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s