Eu, Ideias, Pensamentos, Relações, Será?

O passado no presente

Como já escreveu muito bem Contardo Calligaris, amar é viver sem passado e sem futuro. Sim, amar definitivamente é esquecer o passado e não viver o futuro.

Quando conhecemos uma pessoa não sabemos nada dela (normalmente), não sabemos nem o que ela fez, nem o que deixou de fazer, se já sorriu, ou se já chorou, não sabemos NADA!! Somos envolvidos pelo que a pessoa tem a oferecer agora, pelo que ela dispõe naquele momento, naquela hora, naquele minuto.

E já viu que não sentimos medo? Não temos ciúme? Não temos cobrança nenhuma a fazer??

Porque o começo de qualquer relacionamento é um conto de fadas?? Simples!! Não existem cobranças!! Os dois querem simplesmente agradar, encantar e seduzir o outro.

O cara não sabe que a barriga dela é grande,  nem que ela tem uma dívida gigante no cartão de crédito e mesmo assim comprou uma blusa nova pra sair com ele. Ela não sabe que ele deixou uma menina em casa, poucos dias atrás fazendo juras de amor, não sabe que ele limpa o nariz no meio da sala, e nem que ele prefere escutar pagode no lugar de Norah Jones… Ela só vê o quanto ele é atencioso, o quanto ele sorri lindamente, e o quanto ela quer estar com ele. Mesmo que seja escutando pagode!!

Com o passar dos dias, os dois vão se “conhecendo”, vão perguntando um ao outro, seus gostos e preferências, perguntam sobre o passado ( sabe-se lá porque, isso não ajuda em nada) e vão fechando um ao outro em conceitos malucos que a própria mente possui, e o medo começa a ganhar espaço na relação.

Se antes ela esperava a ligação dele numa boa, fazendo suas coisas e se melhorando e embelezando para poder ver ele. Agora ela fica ansiosa, se preocupa em saber onde ele está e do porque dele não ter ligado na hora combinada! Se ele está na internet, ela desespera se ele não fala com ela logo e se ele recebe mensagens, aí sim, a cabeça dela explode de dúvidas e cobranças.

Se não sabemos que a pessoa traiu seus ex companheiros, não temos medo de que isso aconteça com a gente, pois nos baseamos exclusivamente no que estamos vivendo e não no que já aconteceu.

Esquecemos, por causa do medo, que nós mudamos, que as outras pessoas mudam, e que independente disso, nós não somos de ninguém. A única coisas que temos é o momento presente, a alegria de compartilhar e de conhecer, não a si mesmo, mas às coisas do mundo, um com o outro.

Descobrir que tomar vinho seco e andar de moto, são coisas legais, quando você está bem acompanhada, independente de um “não gostar” que existia antes.

 

Afinal, o que adianta conhecermos a pessoa, o passado dela, se no fim queremos que o momento atual seja diferente de tudo que ele e ela já viveram?

É bom saber o chão que se pisa. Tatear no escuro dá medo, dá insegurança.. mas não é a paquera e a conquista constante que buscamos sempre? Não reclamamos quando isso acaba? Quando a rotina se instala e quando conhecemos o outro demasiadamente? Reclamamos também quando o outro nos surpreende com atitudes que não esperávamos, (desde que seja uma atitude que nos desagrada).

Entre sofrer com um passado e com a insegurança do futuro, melhor desfrutar do sabor do hoje.

Tarefa difícil, mas que espero conseguir.

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